Incentivar à escrita
Ditado comentado na prática...
Este tipo de ditado não serve como avaliação, mas como momento de aprendizagem! Com ele, os alunos terão oportunidade de relembrar regras, ajudando-se!
O melhor será ser realizado a lápis para que cada um possa corrigir quando necessário.
O texto a ditar não deverá ser muito longo, uma vez que a sua exploração leva algum tempo. Quanto mais focados e concentrados estão os alunos, melhor serão os resultados. Assim se justifica que não deverá ser um texto exaustivo.
COMO É NA PRÁTICA?
Dita-se frase a frase de forma clássica. Cada aluno efetua o registo do que ouve, em silêncio. Quando se acaba de ditar uma frase pergunta-se se alguém teve dúvidas, em alguma palavra. Quem tiver, levanta o dedo e diz qual a seu dúvida.
Hoje, por exemplo, um dos meus alunos perguntou : "Decidiu acaba em o ou u?".
De seguida, quem quiser ajudar, para dar uma pista, coloca o dedo no ar e o amigo com dúvida escolhe quem vai comentar.
A resposta foi: "Decidiu acaba com ditongo?" Deu exemplos e fez comparações: "Compara com a palavra pátio. Se separares pátio por sílabas obténs pá-ti-o, a última sílaba é "o", e a regra é que as palavras que acabem com o som "u", escrevem-se com "o". Mas isso não acontece quando é um ditongo, onde cada vogal mantém o seu som: ei, ai, ui, iu, oi... Então agora divide a palavra decidiu. de-ci-diu. Acaba em ditongo?".
Depois dessa troca, poderão ainda outros alunos darem outras ajudas sobre essa palavra caso necessário.
Os alunos da turma, verificam, consoante as regras e motivos enumerados, se escreveram bem. Quando recorrem a uma ajuda, sublinham a palavra (para eu perceber que precisaram de ajuda e se foram capazes de escrever corretamente).
Realiza-se esta prática ao longo do ditado, perguntando no final de cada frase, se há dúvidas e se alguém quer comentar.
VANTAGENS:
- A troca entre pares é muito rica. Ambos ganham! O que precisava de auxílio, com a ajuda de um amigo que aplica uma linguagem semelhante a dele e se torna por vezes mais percetiva para eles, e de certeza mais significativa, vai conseguir ultrapassar a sua dificuldade e memorizar de forma mais eficiente a regra ou estratégia para obter melhores resultados na ortografia. Enquanto que, para aquele que explica e dá o seu parecer também é muito benéfico. Estrutura o seu pensamento, ao verbalizar organiza e resume o que sabe, ganha consciencialização, aliás a melhor forma de aprender é sem dúvida, ensinando!
- Os alunos recordam estratégias, técnicas e regras estudadas anteriormente mas que não estavam ainda completamente adquiridas. Assim, solidificam os seus conhecimentos, conseguindo aplicá-los melhor posteriormente noutras situações.
Tipos de DITADOS
Como fazer diferentes ditados
A práticas dos ditados evoluíram e hoje em dia não servem apenas como avaliação mas também e sobretudo para aquisição e aperfeiçoamento de conhecimentos e competências!
STOP aos ditados negativos que são apenas geradores de stress para o aluno!
Para que serve o ditado?
Fazer um ditado poderá servir para consolidar e sistematizar regras e estratégias de ortografia, gramática, pontuação, relembrar regras e focar o aluno na sua escrita.
A escrita de textos não cumpre o mesmo objetivo?
Não, porque muito alunos, na escrita de textos não sairão da sua zona de conforto e utilizarão apenas vocabulário que conhecem, palavras onde não têm dúvidas de escrita, tipos de textos onde se sentem à vontade, logo são duas estratégias que cumprem objetivos diferentes.
Porque investir em ditados de diferentes tipos?
É essencial que o aluno se sinta motivado perante a aprendizagem, diria que esta deveria ser sempre a primeira premissa a ter em conta para ir ao encontro do sucesso escolar! Muitas vezes os ditados são geradores de stress e nervosismo, o aluno sente-se ansioso na sua realização e focado apenas no resultado que irá obter. Estas diferentes formas de fazer os ditados envolvem os alunos no processo que conduz ao resultado, promovem a motivação e o prazer da sua realização, focando-se sempre nos objetivos que se pretende atingir. Sugiro que estas diferentes formas variem e sejam feitas de forma alternada ao longo do tempo, provocando curiosidade no aluno.
Tipos de ditados
- FREEZE
- DETETIVE
- COMENTADO
- ESCOLHA MÚLTIPLA
- SEM ERROS
- AUXILIADO
- A PARES
- EM MOVIMENTO
- RITMADO
- ENCAIXE
- JOGO
Poderá ter a explicação de cada um destes tipos de ditados visualizando o vídeo!
Método das 28 palavras
Aprender a Ler e Escrever: Método das 28 palavras
Qual o melhor método? Eu acho que
não há nenhum método melhor do que outro. A meu ver, o que faz a diferença é o
professor e a forma como dinamiza o tempo de aula, a postura, as atividades
propostas e como leva os alunos a estarem motivados e envolvidos.
Ao longo da minha experiência tive
primeiramente contacto com o método sintético-analítico, baseado mais na
repetição, embora ultimamente haja um esforço notório até por parte das
editoras em oferecer um leque mais variado de atividades que sejam mais
interessantes para o aluno.
Contudo a minha maior experiência
é com o método das 28 palavras, com o qual trabalhei mais tempo e trabalho
quando estou com um primeiro ano.
Este método trabalha com base em
situações concretas e reais, recorre à motivação com atividades desenvolvidas em
paralelo e concede a meu ver, um maior dinamismo!
É certo que a finalidade de cada
um dos métodos é a mesma, mas considero que o método sintético-analítico é mais adequado
para ensinar adultos por exemplo, pessoas que já têm consciência da forma como
se processa a leitura, que são precisas letras, que em conjunto formarão sons e
palavras.
Para mim, o método das 28 palavras é por
sua vez, mais adequado às crianças. Estas já percebem que o que fazemos no papel
transmite uma mensagem, como por exemplo, com um desenho. Sabem “ler” desenhos,
rótulos/marcas e imagens, reconhecem que estas traduzem uma mensagem ou ideia.
Assim, quando começam a aprendizagem da primeira palavra da menina,
fazem esta fácil associação, comparam a palavra menina com o desenho/imagem de
uma menina. Entendem que ambas (tanto a palavra como a imagem) significam a
mesma ideia. Brinca-se à volta das palavras dando-lhes significado. Dentro das
palavras, vamos procurar os sons que existem e assim separamos por sílabas,
neste primeiro caso me -ni- na, cada “parte” representa um som com o qual vamos
brincando alternando a ordem. Assim funciona com as primeiras palavras. Conseguem
a partir destas, formar novas palavras e pseudopalavras. Este método privilegia
o reconhecimento global das palavras. O acesso ao significado da mensagem
escrita é realizado essencialmente através da via visual, não passa (numa primeira
instância) pela descodificação, mas pelo reconhecimento.
Com a minha experiência defendo o método das 28 palavras pela forma como funciona, não pelas palavras em si. Considero que
esta abordagem é possível mesmo num meio onde habitualmente se use métodos diferentes.
Pode-se ter manuais que seguem o método sintético-analítico, mas, no entanto,
dar a conhecer primeiro palavras, sons, e só depois as letras.
O que é essencial, seja qual for
o método, é motivar o aluno, envolvê-lo, “provocar” a necessidade de …, levar
os alunos a gostarem de ler e escrever e descobrir o quanto prazeroso pode ser,
e com isto tornar a aprendizagem significativa!
No vídeo faculto algumas ideias para a abordagem de cada uma das palavras, com atividades motivadoras. Deixo ➡ AQUI os links de cada um dos vídeos que indico para as sugestões de atividades.
INTERESSANTE no id&ias em prática
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