Em tempos nas redes sociais cheguei a colocar um post sobre esta atividade...Hoje venho falar novamente sobre ela, dado o seu potencial!
Gira & Volta ao Lugar
Em tempos nas redes sociais cheguei a colocar um post sobre esta atividade...Hoje venho falar novamente sobre ela, dado o seu potencial!
Gira & Volta ao Lugar
Este tipo de ditado não serve como avaliação, mas como momento de aprendizagem! Com ele, os alunos terão oportunidade de relembrar regras, ajudando-se!
O melhor será ser realizado a lápis para que cada um possa corrigir quando necessário.
O texto a ditar não deverá ser muito longo, uma vez que a sua exploração leva algum tempo. Quanto mais focados e concentrados estão os alunos, melhor serão os resultados. Assim se justifica que não deverá ser um texto exaustivo.
COMO É NA PRÁTICA?
Dita-se frase a frase de forma clássica. Cada aluno efetua o registo do que ouve, em silêncio. Quando se acaba de ditar uma frase pergunta-se se alguém teve dúvidas, em alguma palavra. Quem tiver, levanta o dedo e diz qual a seu dúvida.
Hoje, por exemplo, um dos meus alunos perguntou : "Decidiu acaba em o ou u?".
De seguida, quem quiser ajudar, para dar uma pista, coloca o dedo no ar e o amigo com dúvida escolhe quem vai comentar.
A resposta foi: "Decidiu acaba com ditongo?" Deu exemplos e fez comparações: "Compara com a palavra pátio. Se separares pátio por sílabas obténs pá-ti-o, a última sílaba é "o", e a regra é que as palavras que acabem com o som "u", escrevem-se com "o". Mas isso não acontece quando é um ditongo, onde cada vogal mantém o seu som: ei, ai, ui, iu, oi... Então agora divide a palavra decidiu. de-ci-diu. Acaba em ditongo?".
Depois dessa troca, poderão ainda outros alunos darem outras ajudas sobre essa palavra caso necessário.
Os alunos da turma, verificam, consoante as regras e motivos enumerados, se escreveram bem. Quando recorrem a uma ajuda, sublinham a palavra (para eu perceber que precisaram de ajuda e se foram capazes de escrever corretamente).
Realiza-se esta prática ao longo do ditado, perguntando no final de cada frase, se há dúvidas e se alguém quer comentar.
VANTAGENS:
- A troca entre pares é muito rica. Ambos ganham! O que precisava de auxílio, com a ajuda de um amigo que aplica uma linguagem semelhante a dele e se torna por vezes mais percetiva para eles, e de certeza mais significativa, vai conseguir ultrapassar a sua dificuldade e memorizar de forma mais eficiente a regra ou estratégia para obter melhores resultados na ortografia. Enquanto que, para aquele que explica e dá o seu parecer também é muito benéfico. Estrutura o seu pensamento, ao verbalizar organiza e resume o que sabe, ganha consciencialização, aliás a melhor forma de aprender é sem dúvida, ensinando!
- Os alunos recordam estratégias, técnicas e regras estudadas anteriormente mas que não estavam ainda completamente adquiridas. Assim, solidificam os seus conhecimentos, conseguindo aplicá-los melhor posteriormente noutras situações.
Muitas são as mensagens
que recebo a agradecer as partilhas que vou fazendo, assim como, a pedir ajuda
para melhorar as práticas em sala de aula. Comecei, então, a escrever pequenos
apontamentos com esse mesmo objetivo, de partilhar com outros professores algumas
dicas e id&ias da minha experiência…até que dei conta que os meus pequenos
apontamentos se tinham transformado num guia!
Decidi aproveitar este
guia, melhorá-lo, pensar cuidadosamente no que pode ser importante para que uma
mudança aconteça, e pô-lo no papel, ou melhor no PC!
Tal como refiro no e-book: Não há receitas nem fórmulas mágicas, e parece-me até que no ensino isto é totalmente impossível. O conceito one-size-fits-all é utópico no nosso contexto. Cada qual é um professor na sua individualidade, que atua de acordo com a sua personalidade, crenças e experiência, bem como com os seus objetivos. Somos todos diferentes e os alunos (e grupos-turma) também o são. Assim, não venho propor uma solução chave-na-mão, que não teria em conta o contexto, os alunos, o próprio professor. Mas existem linhas-diretrizes que podemos todos procurar que nos guiem.
Assim sendo, estou a
terminar de editar os detalhes desta partilha e logo, logo terão novidades!
Espero que seja útil e que vos motive a ter uma prática de mais sucesso ainda e
em adequação com o que pretendem.
A palavra de ordem na sala, é FLEXIBILIDADE!
Isto porque - tanto o mobiliário (mesas, cadeiras, bancos, almofadas) e nós
pessoas - não temos raízes fixas no chão, somos todos móveis! Esta organização
implica ter conhecimento sólido das regras a respeitar e saber que todos
podemos usufruir dos nossos direitos se cumprirmos com os nossos deveres.
Desta forma, a nossa sala tem um
modelo de organização base, mas que muda consoante as nossas necessidades.
A organização base da sala tem:
- o LOUNGE (espaço fixo), este é
um local resguardado e confortável que serve não só de biblioteca mas que
permite também aos alunos usufruir deste espaço quando pretendem descansar um
pouco, fazer atividades mais livres e repor energias!
- espaço de mesas em U. Este espaço
é usado nos momentos de aulas em dois tempos e funciona em rotatividade.
- mesas individuais e outras
dispostas em pequenos grupos.
- bancos, mesas baixas, almofadas.
Para que esta organização tenha sucesso e funcione em pleno, organizo o material que vamos precisar, mas mais do que isso, reflito sobre:
🔑a distribuição do tempo,
🔑o objetivo das atividades (treino, consolidação, sistematização, descoberta, revisões, aplicação, avaliação),
🔑o número de alunos,
🔑as necessidades de cada aluno.
Está a chegar o Natal, e com ele a magia...
Fiz esta carta para a minha pequena cá de casa, com quatro aninhos, partilho pode ser útil :)
Está em editável, embora o tipo de letra possa não corresponder e em PDF! AQUI
Começamos a explorar o Mundo e a Europa!
Para isso temos um desafio semanal que colocamos no nosso mapa da sala. Ainda não tive oportunidade de tirar fotos, mas logo que o faça, partilho e explico direitinho o funcionamento desta dinâmica!
Entretanto na exploração do Mundo, do planisfério, dos continentes e dos oceanos pintámos um puzzle de 28 peças. Cada um teve a sua peça e o resultado final foi este (ainda vamos colá-lo esta semana!):
Encontrei o documento com uma publicação feita no Facebook, não é portanto ideia minha, mas é excelente! Partilho o PDF para quem quiser também aproveitar esta arte! É só carregar na imagem!
Seguimos esta semana com a Europa no Mundo, para isso vimos uns vídeos bem giros partilhados no youtube (basta carregar para aceder aos vídeos) pela A professora explica e O Troll explica
Entretanto, durante a semana, os alunos têm uma proposta no roteiro semanal que é encontrar vários países no mapa, quais são os países vizinhos e registar em que continente estão. Estarão todos na Europa pois é isso mesmo que estamos a estudar!
Depois realizaremos o QUIZZ 20 a pares!
Os alunos poderão escolher o seu par, o sítio da sala para onde querem ir e terão 15 minutos no cronómetro! Cada exercício certo vale o ponto, sendo assim podem conseguir chegar aos 20 pontos!
Depois vamos contabilizar pontos e ver em que resultado nos incluímos!
Este é o documento de informações sobre a Europa que utilizaremos depois num jogo!
Finalmente começo a ter tempo para partilhar com vocês a organização da minha sala este ano, o material que construí e que estamos a usar!
Talvez já tenham dado conta, o nosso tema 2021.2022 é A VOLTA AO MUNDO, por isso encontrarão material adaptado a esta temática! E já sabem poderão descarregar á vontade!
Alguma dúvida, é só dizer!
Tenho em sala dois mecanismos de gestão de desempenho e de comportamento, e desta forma duas ferramentas diferentes que depois se fundem numa só.
Vou explicar...
Cada aluno tem um passaporte como este:
Dentro do passaporte, por detrás da capa, podem guardar o cartão de desempenho
Este cartão, tal como o nome indica, serve para a gestão do desempenho e poderão compreender melhor o seu funcionamento aqui:
artigo sobre cartão de desempenho - funcionamento
Este ano, sempre que os alunos chegam a um MUNDO têm o direito de pintar uma marca no mapa do passaporte
Bom ano para todos!
Como fazer diferentes ditados
A práticas dos ditados evoluíram e hoje em dia não servem apenas como avaliação mas também e sobretudo para aquisição e aperfeiçoamento de conhecimentos e competências!
STOP aos ditados negativos que são apenas geradores de stress para o aluno!
Para que serve o ditado?
Fazer um ditado poderá servir para consolidar e sistematizar regras e estratégias de ortografia, gramática, pontuação, relembrar regras e focar o aluno na sua escrita.
A escrita de textos não cumpre o mesmo objetivo?
Não, porque muito alunos, na escrita de textos não sairão da sua zona de conforto e utilizarão apenas vocabulário que conhecem, palavras onde não têm dúvidas de escrita, tipos de textos onde se sentem à vontade, logo são duas estratégias que cumprem objetivos diferentes.
Porque investir em ditados de diferentes tipos?
É essencial que o aluno se sinta motivado perante a aprendizagem, diria que esta deveria ser sempre a primeira premissa a ter em conta para ir ao encontro do sucesso escolar! Muitas vezes os ditados são geradores de stress e nervosismo, o aluno sente-se ansioso na sua realização e focado apenas no resultado que irá obter. Estas diferentes formas de fazer os ditados envolvem os alunos no processo que conduz ao resultado, promovem a motivação e o prazer da sua realização, focando-se sempre nos objetivos que se pretende atingir. Sugiro que estas diferentes formas variem e sejam feitas de forma alternada ao longo do tempo, provocando curiosidade no aluno.
Tipos de ditados
Poderá ter a explicação de cada um destes tipos de ditados visualizando o vídeo!
Final de ano (e que ano!!!) rima com cansaço é certo, mas considero esta fase de autorreflexão fundamental para que o próximo ano seja melhor ainda!
É verdade que poderia ter feito esta reflexão no início do próximo ano, mas agora está tudo fresquinho na cabeça e sendo assim é uma reflexão mais realista e precisa!
Partilho aqui, então, o balanço de algumas práticas/dinâmicas/estratégias...onde refiro como foi, se irei manter e como pretendo fazer para o próximo ano.
Estou com a cabeça a mil, cheia de ideias para o próximo ano implementar na minha turma/sala, mas partilharei noutra altura quando as ideias estiverem bem assentes e terei de forma mais concreta tudo delineado.
Na minha sala de aula, os alunos têm sempre responsabilidades ou tarefas como lhes queiram chamar… eu cá gosto mais da
palavra responsabilidade! Até porque, a meu ver, é mais do que uma tarefa, é
uma responsabilidade que está a cargo deles para o bom funcionamento da sala de
aula!
Permitir aos alunos investir na vida da sala é mesmo
importante para mim, onde cada um tem um papel fundamental a desempenhar. Sinto
que eles também gostam muito, sentem que fazem parte de um todo e se faltar uma
peça do puzzle a máquina não funciona!
Normalmente estão afixadas na parede, e cada um mantém a sua
responsabilidade durante uma semana ou quinze dias, dependendo da rotina
estabelecida em turma.
Este ano, começamos por fazer a troca de responsabilidades
semanalmente (em tempo de assembleia) contudo, não estava a funcionar, pois entre
o balanço da semana, escolha das responsabilidades e discussão dos assuntos
levados a assembleia, falhava sempre algo. Então, decidimos fazer a discussão dos
assuntos da assembleia numa semana e a troca de responsabilidades noutra.
Assim, estas dinâmicas funcionam de quinze em quinze dias, de forma rotativa.
As responsabilidades são escolhidas por eles, o que faz com que esta dinâmica ocupe bastante tempo…e senti que era um tempo pouco rentável, tempo perdido, digamos assim! Embora seja obviamente bom que possam ser eles a escolher, na verdade, não vi isso como vantagem, pois na realidade estão sempre a trocar de responsabilidade quando escolhem (o que é ótimo, uma vez que experimentam vários papéis) mas sendo assim, a vantagem de escolher é pouca.
No ano anterior, a atribuição não era feita desta forma, mas através de uma tabela de rotatividade e funcionou bem, acho que vou recuperar este modo de fazer! (prometo partilhar logo que passe do projeto à ação)
Acho que também vai ser necessário ponderar quais as
responsabilidades realmente importantes e significativas para eles.
Considero que este ano, uma das vantagens foi ter havido
responsabilidades para todos, cada um dos alunos estava envolvido na dinâmica e
funcionamento da sala, no entanto, senti que algumas delas caíram no
esquecimento e não são realizadas pelos alunos, pelo menos não de forma
autónoma, só quando solicitadas. Vou
tentar organizar esta rotina de forma mais eficaz! Entretanto, vou refletir com
os alunos sobre quais devemos manter, deixar cair ou criar.
CALENDÁRIO (2 alunos responsáveis por alterar o calendário
mensalmente, colocar diariamente a etiqueta do dia de hoje, ontem e amanhã e
destacar momentos importantes para a turma, colocando post-its nos dias em que
acontecem, como por exemplo: apresentação do João, aniversário da Filipa, Ler,
Contar e Mostrar da Bruna, e tudo o que acharem relevante colocar.)
PRESENÇAS (1 aluno faz a chamada e regista presenças,
ausências e atrasos)
RESPONSÁVEIS DE GRUPO (4 alunos – na sala, temos um armário
com 4 divisões, o material dos alunos de cada grupo encontra-se na divisão que
lhes pertence |manuais, dicionário, cadernos, gramáticas, estojos no final do
dia…| os responsáveis agilizam a distribuição e recolha do material, coordenam
quem do grupo pode ajudar, e verificam a organização da sua divisão. Estes
grupos são estanques ao longo do ano, pois são apenas grupos de material, os
alunos não estão necessariamente sentados ao lado dos colegas que pertencem ao
grupo do material).
DISTRIBUIÇÃO E RECOLHA DE MATERIAL (3 alunos – estas alunos
distribuem material comum a todos quando necessário, como jogos, dados, fichas,
folhas, etc.)
LIMPEZA E ARRUMAÇÃO (2 alunos – estes asseguram a correta
limpeza e arrumação da sala, mas na verdade, tenho uma turma de alunos bastante
regulada neste aspeto…por isso não tem muita utilidade)
APAGAR O QUADRO (2 alunos – apagam o quadro sempre que
necessário ao longo do dia, se solicitados, e no final do dia quando arrumamos
o material).
ECOLÓGICOS (2 alunos – a ideia era cuidar do ambiente em
turma e ajudar a turma a respeitar, apagando luzes, quadro interativo,
verificando a separação do lixo…mas mais uma vez, não foi necessário)
PRESIDENTE E SECRETÁRIO (2 alunos – o presidente orienta e
dinamiza a assembleia, o secretário regista as ideias. Ao longo dos quinze dias
|até a outra assembleia| escrevem a ata, que é lida no início da assembleia
seguinte).
ARQUIVAR (2 alunos – temos na sala três gavetas
transparentes identificadas com: corrigir (para os alunos colocarem trabalhos
para eu corrigir); rever (trabalhos que corrigi mas não estão totalmente
corretos, então os alunos têm de rever); arquivar (trabalho corrigido, furado e
pronto para ser arquivado). Por cima do armário do seu grupo, cada aluno tem
também uma gaveta transparente com o seu nome. Quando um aluno tem lá trabalhos,
poderá arrumá-los na sua capa de argolas. Os responsáveis do arquivar devem
distribuir os trabalhos do “rever” e colocar os trabalhos do “arquivar” na
gaveta de cada um dos alunos.)
RECADOS (1 aluno – Qualquer recado que seja necessário,
chamar uma auxiliar, pedir algum material a turmas vizinhas, etc.)
SUBSTITUTO (1 aluno – substitui qualquer responsabilidade de
um aluno que esteja a faltar)
Este foi o funcionamento deste ano, mas já estou a refletir
para o próximo ano e haverá de certeza mudanças! 😉
Hoje venho partilhar o CARTÃO DE
DESEMPENHO! Encontrei uma ferramenta semelhante há uns anos, num blog de
educação francês, e desde então, uso este recurso com as minhas turmas. O seu
uso e layout foram evoluindo com o tempo.
Neste momento o princípio é este:
Cada aluno tem um cartão de desempenho,
e tal como diz o nome, o cartão permite reforçar pela positiva o desempenho de
cada um.
Sempre que o aluno
se supera,
melhora em algo,
se empenha,
se esforça,
não desiste,
seja qual for a situação e desde
que esta seja merecedora de ser recompensada, o aluno recebe um carimbo no seu
cartão.
Premeia acima de tudo o esforço, o
empenho, a dedicação, a perseverança e a autossuperação.
Não há um momento para o receber,
nem o recebem todos, ou seja, diferencia cada um de acordo com o seu ritmo e
atitude perante o trabalho. Quando chega à marca (dependendo do layout) recebe alguma
coisa… isto é, este ano, e de acordo com a organização da sala recebem 3 pontos
(estes pontos podem depois ser trocados por uma bolinha da sorte - tentarei
explicar esta rotina num próximo post).
Com esta ferramenta não se
pretende chegar a um objetivo grupal, onde cada um se esforça para alcançar
algo comum, pois estes sistemas criam injustiças e premeiam apenas os mais
fortes, não têm atenção nem a ritmos, diferenças nem individualidades, promovem
apenas a competição e egoísmo. Cada carimbo que o aluno tem no seu cartão é
ganho pelo esforço e mérito de cada um e não por comparação ao colega do lado. Premeia
a superação das fragilidades, o ter ido mais além.
Qual o melhor método? Eu acho que
não há nenhum método melhor do que outro. A meu ver, o que faz a diferença é o
professor e a forma como dinamiza o tempo de aula, a postura, as atividades
propostas e como leva os alunos a estarem motivados e envolvidos.
Ao longo da minha experiência tive
primeiramente contacto com o método sintético-analítico, baseado mais na
repetição, embora ultimamente haja um esforço notório até por parte das
editoras em oferecer um leque mais variado de atividades que sejam mais
interessantes para o aluno.
Contudo a minha maior experiência
é com o método das 28 palavras, com o qual trabalhei mais tempo e trabalho
quando estou com um primeiro ano.
Este método trabalha com base em
situações concretas e reais, recorre à motivação com atividades desenvolvidas em
paralelo e concede a meu ver, um maior dinamismo!
É certo que a finalidade de cada
um dos métodos é a mesma, mas considero que o método sintético-analítico é mais adequado
para ensinar adultos por exemplo, pessoas que já têm consciência da forma como
se processa a leitura, que são precisas letras, que em conjunto formarão sons e
palavras.
Para mim, o método das 28 palavras é por
sua vez, mais adequado às crianças. Estas já percebem que o que fazemos no papel
transmite uma mensagem, como por exemplo, com um desenho. Sabem “ler” desenhos,
rótulos/marcas e imagens, reconhecem que estas traduzem uma mensagem ou ideia.
Assim, quando começam a aprendizagem da primeira palavra da menina,
fazem esta fácil associação, comparam a palavra menina com o desenho/imagem de
uma menina. Entendem que ambas (tanto a palavra como a imagem) significam a
mesma ideia. Brinca-se à volta das palavras dando-lhes significado. Dentro das
palavras, vamos procurar os sons que existem e assim separamos por sílabas,
neste primeiro caso me -ni- na, cada “parte” representa um som com o qual vamos
brincando alternando a ordem. Assim funciona com as primeiras palavras. Conseguem
a partir destas, formar novas palavras e pseudopalavras. Este método privilegia
o reconhecimento global das palavras. O acesso ao significado da mensagem
escrita é realizado essencialmente através da via visual, não passa (numa primeira
instância) pela descodificação, mas pelo reconhecimento.
Com a minha experiência defendo o método das 28 palavras pela forma como funciona, não pelas palavras em si. Considero que
esta abordagem é possível mesmo num meio onde habitualmente se use métodos diferentes.
Pode-se ter manuais que seguem o método sintético-analítico, mas, no entanto,
dar a conhecer primeiro palavras, sons, e só depois as letras.
O que é essencial, seja qual for
o método, é motivar o aluno, envolvê-lo, “provocar” a necessidade de …, levar
os alunos a gostarem de ler e escrever e descobrir o quanto prazeroso pode ser,
e com isto tornar a aprendizagem significativa!
No vídeo faculto algumas ideias para a abordagem de cada uma das palavras, com atividades motivadoras. Deixo ➡ AQUI os links de cada um dos vídeos que indico para as sugestões de atividades.
Uma das rotinas semanais/quinzenais que temos na sala são as
assembleias com a duração aproximada de 30 a 45 minutos.
Inicio as assembleias logo no primeiro ano, embora evoluam
ao longo dos quatro anos.
Durante a semana, os alunos vão registando o que pretendem
que seja discutido em assembleia (normalmente a assembleia é realizada à
sexta-feira).
No início do primeiro ano, em que os alunos ainda não
leem/escrevem, este registo não é ainda feito. A partir do momento em que os
alunos já consigam escrever uma ideia, podem então começar a fazer o registo.
De acordo com as turmas, tenho vários modelos para esse efeito.
Temos na sala um cartaz afixado e pode estar dividido de várias formas, também conforme a turma.
Tenho aqui dois exemplos que já usei:
Algumas turmas preferem um modelo em que todos podem ir
consultando as ideias que são registadas ao longo da semana, e então os
comentários estão expostos. Mas frequentemente acontece que a turma, não quer
que estes comentários fiquem visíveis ao longo da semana, então têm os papeis
coloridos à disposição para usarem e colocam-nos depois numa caixa que só é
aberta na assembleia.
Para a realização das assembleias, temos dois responsáveis
para a sua dinamização: o presidente e o secretário.
- O presidente guia a “conversa” entre todos. Vai retirando os
papéis da caixa/parede com os comentários e promover a discussão sobre estes.
- O secretário regista as ideias num esquema de rascunho.
Durante a semana, os dois juntam-se para elaborar a ata que
será lida na próxima assembleia.
Num primeiro ano, sou eu que tiro as notas e faço a ata. No
quarto ano, os alunos já conseguem escrever as notas e ata sem recorrer ao
modelo/guia.
Num primeiro ano, a assembleia é inicialmente guiada por
mim. Aos poucos, os alunos ganham cada vez mais autonomia, até que eu
“desapareça” da frente para me sentar com eles e entrar na discussão. Pretendo
assim, que a turma consiga fazer a sua autogestão e autorregulação enquanto
grupo.
Adoro este espaço/momento de partilha entre todos, onde fomento a escuta atenta sobre o que os outros pensam; o poder de crítica sobre o que é dito tecendo uma opinião fundamentada e a relevância do que é partilhado
Nas primeiras assembleias, os alunos têm tendência a fazer da
assembleia um momento de queixinhas. Ao longo das assembleias, vou
desconstruindo esta ideia com eles, dizendo que quando trazemos um problema
para a assembleia é porque não o conseguimos resolver sozinhos (apesar de ter
tomado algumas medidas) e desta forma precisamos da turma para arranjar uma
solução. Assim, os problemas e conflitos inerentes à existência do grupo,
quer ao nível do trabalho, quer ao nível dos sentimentos experimentados na
relação interpessoal, passam então a ser resolvidos pelo próprio grupo.
OBJETIVOS da assembleia:
ü - Mobilizar os alunos para uma intervenção
organizada e ativa na vida da turma, através de suas estruturas democráticas;
ü - Desenvolver valores, atitudes e práticas que
contribuam para a formação de cidadãos conscientes e participativos na
sociedade;
ü - Desenvolver a criatividade e a autonomia,
estimular a reflexão e possibilitar a intervenção dos alunos.
Cada um dois alunos, como parte de um grupo, deve aprender
a:
ü
Exprimir-se para intervir;
ü
Organizar as ideias para participar;
ü
Escutar os outros;
ü
Distinguir uma opinião de um facto;
ü
Reconhecer a legitimidade de outros pontos de
vista aceitando a existência de opiniões diferentes;
ü
Ser capaz de estabelecer consensos e,
ü
Ser capar de resolver problemas.
Talvez sonho ou utopia… mas tenho ambição de fazer das minhas aulas, momentos de aprendizagem cada vez mais dinâmicos onde cada uma das
crianças sente que evolui, feliz pelas suas conquistas e de acordo com o seu
ritmo.
Curioso: Quando entramos para a escola, ou melhor para o jardim
de infância, encontramos um espaço colorido e luminoso. Todo o contexto traz
boa disposição e felicidade. As crianças usufruem de um lugar onde se respeita
a individualidade de cada um, sem que os progressos sejam prejudicados. Ao seu ritmo
cada criança evolui e traça o seu percurso. As propostas são mais livres, sem
deixar de ser intencionais…
Contudo, ao longo da escolaridade, esta cor, dinamismo e liberdade
esmorece aos poucos…no primeiro ciclo ainda se mantém um pouco desta realidade,
mas quanto mais os alunos crescem e percorrem os diferentes níveis de
escolaridade, mais o sistema de ensino se torna sério, rígido e moroso. Encontramos
as mesas todas viradas de frente para um quadro com um professor mais
transmissivo que solicita tarefas iguais para grupos heterogéneos… paredes
brancas e sem cor, um silêncio ou burburinho ensurdecedor…aprender-se-á melhor
assim?
E mais curioso ainda, quando se entra no mundo do trabalho,
hoje em dia a grande aposta são os open space, onde volta a cor, luminosidade,
dinamismo e liberdade deixadas no jardim de infância. Sabe-se que estas empresas,
que apostam no bem-estar dos seus colaboradores, fazem-no porque terão
benefícios, promove uma maior produtividade e criatividade, ou seja, maior
lucro.
Se isto é real e comprovado num mundo de adultos e empresarial,
não será idêntico para os estudantes? Não aprenderiam melhor em open space?
Este é o início do meu desafio para o novo ano letivo…
Tenho o sonho, utopia ou ambição de fazer da minha sala, um open space!
Vou pôr mãos à obra para uns tempos de leitura, investigação e (re)organização...